jusbrasil.com.br
27 de Julho de 2021
    Adicione tópicos

    Eu não sou Advogada

    Afinal, na minha profissão: eu preciso me redefinir para ser o que meu cliente precise que eu seja.

    Luma Dórea , Advogado
    Publicado por Luma Dórea
    há 11 meses

    Li um texto hoje que me fez refletir muito sobre a minha profissão.

    Há alguns anos tenho estado em agonia, não me sinto como Advogada, não me vejo como Advogada, pelo menos ao olhos do senso comum de o que realmente é ser uma Advogada.

    Parafraseando o professor e Advogado Henrique Cornelly Bonetto, que brilhantemente descreveu tudo o que estava dentro de mim e não conseguia transpor em palavras: “quando você pergunta a um advogado o que ele faz, geralmente ele responde que é advogado. Aí você questiona em que? E, via de regra, a resposta é algo do tipo a área de atuação. Ah, sou advogado empresarial. Atuo com direito do trabalho. Faço processo de consumidor. Direito financeiro."

    Os mais descolados respondem que atuam com Compliance, Startups, Tecnologia, LGPD.

    Quando alguém me pergunta o que eu faço, a resposta gira em torno de que"ajudo empresários a organizarem seus negócios. Faço mapeamento de processos internos e externos. Ajudo na legalização dos processos, adequação ao nicho, identificação de gargalos, posicionamento perante o mercado.

    Em resumo, ajudo as pessoas a não serem enroladas ou a se desenrolarem”.

    Em atuação para Empresas e seus negócios, seria uma boa definição.

    Mas quando me vejo atuando como Advogada consumerista, não me vejo como Advogada.

    Quando eu atuo em demandas dos consumidores e cíveis, eu não advogo para meus clientes: eu ajo em defesa dos seus interesses e tento dirimir seus problemas.

    Muitas vezes eu me sinto como uma intérprete entre aquela pessoa e outro lado.

    Eu escuto, entendo e traduzo seus anseios e suas angústias em palavras em minhas peças jurídicas.

    Eu não me sinto uma Advogada, eu me sinto uma artista, alguém spiritualizado, uma pessoa sensível, que traduz sentimentos em palavras.

    Por vezes parece que estou pintando um quadro.

    Em uma ou outra demanda eu quero perguntar àquela pessoa aflita se aquele quadro que eu estou desenhando é uma obra ilusionista, um devaneio qualquer (quem nunca?) ou um retrato da realidade fática.

    E se for uma obra realista? Como poderemos fazer para melhor colorir aquele quadro de modo a obter uma melhor percepção das pessoas para quem eu vou expor?

    E então vamos atrás das cores, e digam-se que estas serão as tais “provas”, os documentos que vão ajudar ilustrar e dar cor aquele quadro. Afinal um quadro, se não estiver finalizado teria “menos valor” do que um quadro ilustrado e completo não é mesmo?

    Após colorir vamos oferecer ao comprador. Colocar nosso quadro 🖼 a venda. Então eu também não seria uma comerciante? O primeiro comprador seria o Reclamado, a empresa ou pessoa que causou sofrimento aquela pessoa, afinal se ela quiser pagar o que o quadro vale, está resolvido!

    Não tendo sucesso com aquele comprador, é hora de ir pro mercado e fazer aquele artista ser reconhecido.

    Então o que seria eu mesma? Uma Advogada, intermediadora, facilitadora, intérprete,artista e comerciante? Eu não sei. Eu sou o que o meu cliente precisa naquele momento. Eu não me defino, afinal, na minha profissão: eu preciso me redefinir para ser o que meu cliente precise que eu seja.

    0 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)