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25 de Outubro de 2021
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    O outro lado do combate à violência doméstica contra a mulher

    Porque é nescessária uma sanção social além da sanção penal.

    Luma Dórea , Advogado
    Publicado por Luma Dórea
    há 7 meses

    A contratação de Wesley Pionteck foi anunciada oficialmente pelo Vitória, gerando bastante polêmica e manifestações nas redes sociais.

    A revolta na Internet, que não se resume à torcida feminina, é motivada pelo fato de que, em outubro de 2019, o atleta foi condenado a um ano e quatro meses em regime aberto por lesão corporal por ter agredido sua então namorada.

    A agressão aconteceu em janeiro de 2019 em Sales Oliveira (SP). Segundo o boletim de ocorrência, o atleta teria chegado à residência da então namorada por volta da meia-noite com uma faca, e a agrediu com socos e pontapés.

    A vítima também relatou à polícia que já tinha sido agredida pelo atacante em outras ocasiões e que ele agia motivado por ciúme.

    O Vitória ainda não se pronunciou sobre a condenação de Wesley à imprensa. Mas, em áudio enviado via Whatsapp na semana passada, quando vazou a notícia da possível negociação, o presidente do clube, Paulo Carneiro, comentou sobre o caso. "Se tiver que contratar um jogador nessas condições, e ele já cumpriu sua pena, ele não pode estar na sociedade? Por que, se a Justiça já deu a ele essa condição? É você que vai fazer justiça?", falou.

    No atual cenário em que vivemos, não basta deixar os agressores simplesmente “cumprirem sua pena”. É necessário que haja um movimento de coerção social de modo que a sociedade estabeleça claramente que a prática de violência contra a mulher é inaceitável e produzirá danos permanentes tanto à vida da vítima como ao agressor.

    Assim, dar destaque a atletas que praticaram tais atos de violência é ir contra maré.

    A prática de violência contra mulher é um problema de todos, e todos temos um papel a desempenhar para detê-lo.

    Porque os eventos dos últimos anos vieram sublinhar a ideia de que é preciso fazer mais para ajudar a combater a violência contra a mulher.

    Mesmo quem se identifica como progressista, liberal e não-racista, tem falhado sistematicamente com a comunidade feminina por não contribuir para o desmantelamento ativo dos sistemas que resultaram no número cada vez maior de feminicídio às mãos da violência doméstica e de gênero.

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