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25 de Outubro de 2021

Combate a Psicofobia Conquista Repercussão nas Redes Sociais, em Reality Show na TV aberta e também na Assembleia Legislativa

Luma Dórea , Advogado
Publicado por Luma Dórea
há 10 meses

A participação da modelo Raissa Barbosa na 12ª edição de ‘A Fazenda‘ gerou polêmica dentro e fora do reality – e, principalmente, nas redes sociais e nos debates sobre distúrbios psiquiátricos.

Em 16 de setembro, depois de a peoa protagonizar discussões, ataques de raiva, perder a paciência e questionar, repetidamente, votos e atitudes dos outros participantes, os administradores do perfil oficial que representa Raissa no Twitter publicaram um post afirmando que ela sofre de transtorno de personalidade borderline.

“Borderline é um transtorno de personalidade que, geralmente, se manifesta durante a fase da adolescência e se resume no ‘sofrer e fazer sofrer’. Ele atinge, em sua imensa maioria, mulheres. As pessoas diagnosticadas possuem uma grande instabilidade de humor, são muito impulsivas e se sentem rejeitadas todo o tempo, além de não saberem lidar com a frustração. Desta forma, para se defender, muitas delas atacam os outros ou direcionam a violência para si mesmas”, explicou o médico especialista Borzino.

Graças a ela, boa parte do país passou a compreender melhor o assunto. Por estar fragilizada em muitos momentos, Raissa acabou alvo de um plano que visava instigá-la a praticar uma agressão e, assim, conseguir sua expulsão.

Alvo de preconceito por boa parte de seus companheiros de confinamento por ter assumido ter transtornos de personalidade e fazer uso de medicação controlada, a modelo por vezes era deixada de lado ou tratada com desdém, e ainda foi chamada pelos confinados como: “a coisa, a louca, a maluca, a estranha, o negócio”, quando alegadamente afirmaram que, por ela ser “diferente”, não conseguiam nem falar o seu nome.

Raissa deixou "A Fazenda" imensamente maior do que entrou. Em uma edição em que alguns famosos tentaram se redimir de escândalos do passado, foi ela quem conseguiu, de maneira muito bem-sucedida, reposicionar sua imagem.

A história da luta das pessoas que possuem transtorno de personalidade e a falta de empatia e compreensão da sociedade não são um problema atual.

Ao longo da história, doentes mentais foram acusados de bruxaria, de serem possuídos pelo demônio ou de serem servos do diabo.

O medo da loucura é assustador e faz muitas pessoas reagirem de forma hostil ao que parece “louco”. Quanto maior a agressividade e o desprezo pelo ser humano que sofre da doença mental, mais difícil se torna a busca do paciente pelo seu diagnóstico e tratamento adequado.

Ao contrário do que prega o senso comum, pessoas com transtorno de personalidade também sentem vergonha e se arrependem do próprio descontrole quando "acionam o gatilho e nem sabem o porquê". E tais comportamentos exigem atenção, apoio e tratamento psiquiátrico, além de terapia com Psicólogo (a).

Por não entender a sua condição e de tanto fugir e se envergonhar por seu “desequilíbrio emocional”, se acham pessoas defeituosas e descontroladas, por vezes, podem entrar em depressão e tentar suicídio mais de uma vez.

Não é “frescura, ou para chamar atenção”. Pacientes relatam o quão estranho e sofrido para eles o fato de: “não se conhecer e não conseguir ter o controle das próprias ações”.

É difícil para os leigos entenderem? SIM. Quando se está na adolescência é ainda pior, porque muitos tendem a confundir o transtorno psíquico com rebeldia.

“Confesso que sofri, me achei louca, descontrolada e muitas vezes me julguei tomando como base o julgamentos das pessoas a minha volta por que achava que era merecedora de tudo aquilo, de todos os tipos de ofensa, agressões, piadas, de falsas amizades e relacionamentos onde as pessoas não me valorizavam e usavam de minha fragilidade emocional para cometer abusos. E eu achava que eu devia a elas sabe? Por me aturar assim, defeituosa.”, relatou anonimamente uma paciente que sofre de transtorno borderline.

Transtornos psiquiátricos não são defeitos, causam dor e sofrimento não só a pessoa que está doente mas a todos a sua volta.

“Foram anos de terapia e desconstrução. Hoje dou risada quando me chamam de louca e descontrolada. Falo: sou mesmo. Mas não tenho problemas de caráter. O mal que uma pessoa com um transtorno psíquico causa é a si mesma. Ela não pensa em causar mal aos outros. Ela não escolhe isso. Ela não gosta disso”, relatou um paciente.

Combater o estigma e o preconceito contra as pessoas que sofrem de doenças mentais não custa nada e depende unicamente da vontade individual.

O mais importante é ter a consciência de que não se deve julgar o sofrimento alheio.

Compartilhe o amor.

E se não entender, se cale, se afaste, não emita opinião sobre algo que você não tem conhecimento.

Para que dirigir palavras e atitudes que geram mais sofrimento a quem já está em sofrimento?

Se não tem algo de bom para acrescentar, simplesmente não acrescente nada.

Empatia não se aprende, empatia se sente. Um bom começo para desenvolver a empatia que tem dentro de você é refletir sobre a força das suas palavras e o peso que elas têm.

Se isso não for suficiente, lembre-se que Psicofobia é o termo usado para designar atitudes preconceituosas e discriminatórias contra pessoas com deficiências ou transtornos mentais.

O Projeto de Lei do Senado número 74 de 2014 alterou a Lei no 7.853, de 1989, para tipificar crimes contra pessoas com deficiência ou com transtorno mental, bem como o Decreto-Lei no 2.848, de 1940 (Código Penal), para tornar qualificado o crime cometido contra as pessoas com transtorno mental.

A pena é de reclusão, de três a seis anos. Então discriminar o “maluquinho da praça”, além de moralmente errado, é crime sim.

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