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25 de Outubro de 2021
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    Eleições Municipais 2020. Por que devemos ficar felizes com os resultados?

    Infelizmente não foi uma vitória para mim e meus candidatos, mas foi uma vitória para um Brasil, rumo a políticas de inclusão social.

    Luma Dórea , Advogado
    Publicado por Luma Dórea
    há 11 meses

    ESTOU FELIZ COM O RESULTADOS DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS!

    Só que não. Os candidatos nos quais eu votei não se elegeram.

    Queria que eles se tivessem eleito? Sim. Mas acredito que a democracia é muito maior que isso.

    Não acredito que o mundo deva ser bipolarizado.

    Não existe um mal absoluto e um bem absoluto. As pessoas tem o seu lado bom e o seu lado não tão agradável. O seu lado decente e também um lado repreensível.

    Afinal somos todos humanos, e estranho seria se não fossemos tão diferentes em nossas imperfeições.

    Sempre teremos algo a aprender, até o final da vida. Afinal, o aprendizado também não seria uma busca pela tão sonhada perfeição, e essa perfeição aquela que nunca se alcançará?

    Eu nunca entendi essa divisão política entre esquerda, direita e o chamado centrão.

    Você é de esquerda ou de direita? Eu não sei me definir.

    Minhas decisões nas épocas eleitorais variam de acordo com o meu convencimento quanto aos argumentos, expressão corporal, os projetos apresentados pelo candidato - e, o mais importante: o apetite por justiça social que o/a candidato/a demonstre ter.

    Mas moça e se a pessoa estiver apenas representando um papel? Uma mera atuação teatral? E se o candidato estiver fazendo nada mais que uma cena?

    É um risco que todos corremos. Se o/a candidato/a simplesmente dissimulou oferecer aquilo em que eu acredito ou penso, eu iludidamente votarei nele/a.

    Não votarei no candidato cujo discurso personifica tudo o que eu repudio e discordo totalmente.

    Não vou votar em um candidato só porque ele representa um partido político. Não vou votar em um candidato por ser de direita ou de esquerda.

    Não me parece muito coerente com minha decisão de escolher para me representar politicamente a pessoa que manifestamente se propõe a construir a sociedade da qual eu quero fazer parte.

    Então em minha vida talvez eu possa votar, por vezes, em candidatos de direita e de esquerda e do centro e também das linhas paralelas e verticais e de acordo com minha consciência.

    Porque, no final de tudo, meu voto é em pessoas e no que elas representam para mim em termos de esperança de uma transformação estrutural que leve a uma redução sustentável das desigualdades brasileiras.

    Estou feliz hoje, segunda-feira, dia 16 de novembro de 2020, pois o Brasil elegeu mulheres negras, mulheres trans, indígenas, feministas, homens e mulheres LGBTS, umbandistas e também cristãos.

    O Brasil é multifacetado. Somos um mundo dentro de um só país. Uma nação de muitas raças, gêneros, pensamentos, culturas e religiões, o que deve ser usado a favor do diálogo e do respeito a nossa diversidade. Poderíamos dar licões de tolerância, harmonia e multiculturalismo ao mundo.

    É, meus caros, infelizmente não foi uma vitória para mim e meus candidatos, mas foi uma vitória para um Brasil que deseja se colocar no caminho para uma sociedade mais democrática, com práticas de inclusão social e respeito às diferenças.

    Luma Santana de Souza Dórea

    Advogada, especialista em Direito Público.

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